Pesquisas confirmam êxito do governo Lula

Aprovação a Lula bate recorde, diz Ibope

Avaliação positiva do governo chega a 58%, maior índice desde 2003, quando popularidade estava em 51%, segundo pesquisa

No último levantamento, em dezembro, aprovação também era de 51%; entre entrevistados, 68% dizem confiar no presidente Lula

DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em março a melhor avaliação positiva desde que o petista assumiu a Presidência em 2003, diz a pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem.
No total, 58% dos entrevistados avaliaram o governo como ótimo ou bom, 30% como regular, 11% como ruim ou péssimo, 1% não opinou. Em dezembro de 2007, na edição anterior da pesquisa, a avaliação positiva do governo foi de 51%.
A confiança no presidente também atingiu o melhor índice desde dezembro de 2006. No total, 68% dizem confiar em Lula, contra 60% registrado em dezembro passado.
Questionados se aprovam ou desaprovam o governo do petista, 73% dos entrevistados disseram que aprovam. Em março de 2003, início do primeiro mandato do governo Lula, esse índice chegou a 75%. Desta vez, apenas 22% desaprovaram a gestão e 4% não responderam.
A pesquisa CNI/Ibope ouviu 2.002 pessoas entre 19 e 23 de março, em 141 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais (para mais ou menos).
O diretor de relações institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Marco Antônio Guarita, disse achar que o bom desempenho da economia brasileira provocou impactos positivos em todos os índices do governo federal analisados no levantamento.
"Não há razão que prevalece sobre outras para explicar o índice a não ser o bom desempenho da economia que está impactando no conjunto de indicadores da pesquisa. Em todas as políticas setoriais tivemos melhorias nos indicadores."
Ainda segundo o levantamento, 42% dos entrevistados avaliam que o atual mandato de Lula é melhor que o primeiro, contra 35% registrado em dezembro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior caiu de 21% para 16%.
(GABRIELA GUERREIRO), da Folha de São Paulo.

Matéria no Jornal de Hoje

Darei espaço para a cobertura e repercussão da participação petista nas eleições de outubro, fomentando o debate fraterno e responsável, pois assim, levaremos nosso Partido à vitória.

PT discute a aliança com Wilma hoje

Os petistas vão pedir o apoio da governadora Wilma de Faria (PSB) hoje durante audiência marcada para às 18h30. Na pauta do encontro está a aliança com os socialistas nas eleições municipais em todo o Estado, inclusive em Natal. "A governadora é nossa aliada e vamos ouvi-la", resume o presidente do Diretório Estadual do PT, Geraldo Pinto. "Vamos sentar como aliados políticos, conforme determinação em nível nacional, porque o PSB é da base do governo do presidente Lula".

Embora os rumos da eleição para Prefeitura de Natal, na qual o PT tem dois pré-candidatos, esteja na pauta da audiência desta noite, os integrantes do Diretório Municipal petista não estarão presentes. Segundo a presidente Vilma Aparecida, já havia sido agendada para hoje uma reunião ordinária cujo objetivo é discutir exatamente a realização das prévias da sigla em Natal.

Ela afirma que foi feito um levantamento dos municípios onde pode ocorrer aliança entre PT e PSB nas próximas eleições municipais. "Sem dúvida alguma o PSB é muito importante no projeto político do PT", frisa. No entanto, sabe-se que há uma contradição que precisa ser superada para que a aliança entre o PT e PSB possa ser consolidada. Na última viagem da governadora a Brasília para solicitar recursos para obras no Rio Grande do Norte, ocorrida há 15 dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou que a base de sustentação do seu governo fosse mantida no Estado. Por outro lado, as bases do partido da chefe do executivo estadual não abrem mão de lançar candidatura própria para a Prefeitura de Natal. O deputado federal Rogério Marinho, nome mais cotado para encabeçar a chapa também já reiterou diversas vezes que pretende seguir adiante com seu projeto de concorrer à prefeitura da capital.

Em Natal disputam as prévias petistas para encabeçar a chapa da sigla, o deputado estadual Fernando Mineiro e a secretária municipal de Planejamento, Virgínia Ferreira, que formulou sua pré-candidatura nesta segunda-feira, último dia do prazo.
Repórter: Zhamara Mettuza

Eleições 2008

O prefeito Carlos Eduardo declarou à imprensa que não teve participação da decisão de Virgínia, companheira do PT, em se lançar candidata. Contudo, acentou seu desejo de uma aliança que envolva PT e PMDB com seu partido, o PSB.

Com informações do Nominuto .

A VIRGEM, O BODE E O SIMULACRO

Conta meu primo Edílson Moura, doutor em Física e pesquisador da Universidade de Coimbra, que recentemente um importante comerciante de palmeiras da região do Porto, após ver seus negócios falidos e vendo o crescimento dos negócios de seu vizinho, comerciante de pão de queijo, ao invés de se associar resolveu evitar que este último prosperasse. Teve a idéia de provocar um simulacro: construir um santuário no lugar da fábrica de pão de queijo que substituísse a Cova da Iria, maior local de visitação católica do mundo.

Antes de ter tido essa idéia, ele mesmo tentou viabilizar seu projeto. Procurou amigos, parceiros, governos e propôs ser o gestor da maior cidade tecnológica do globo. Dizia ser o responsável mundial das escolas de nanotecnologias, geotecnologias, biotecnologias e tudotecnologias. Por ter recusado parcerias no passado, por não respeitar seus próprios pares, não conseguiu agregar ninguém, nem junto à sua própria classe nem externamente a ela.

Enquanto isso, seu aliado crescia, amadurecia. Outrora fora um jovem impetuoso, competidor, entendia que o sucesso vinha sempre com o conflito. Hoje, mais maduro, preparado para os negócios globalizados, via as parcerias como o resultado da falsa disjuntiva conflito-consenso. Experimentara sucessos e derrotas e se preparara para entrar no século XXI com um discurso moderno, com novos paradigmas, "sin perder la ternura jamás".

Não conseguindo viabilizar seu intento, o palmeirense não sossegou, tomou emprestado um bode e disse a todo mundo que o animal também sabia chegar ao local onde em 1917 (ano da Revolução Russa) a Virgem Maria apareceu aos três pastorinhos - Jacinto, Francisco e Lúcia- no distrito de Santarém, Conselho de Ourém. Primeiro anunciou aos membros da Câmara de Lojistas do Porto e depois então para toda a cidade.

A cidade d'O Porto, cujo nome deu origem ao nome do país (Portus Cale), divide com Lisboa a importância urbana da terra de Camões, conhecida mundialmente pelo seu vinho, pelo Rio Douro e por suas lindas pontes. De construção pré-romana, sempre foi progressista e liberal, razão pela qual abriga o coração de Dom Pedro IV. Pela resistência dos seus habitantes contra a tirania miguelista, é conhecida como Cidade Invicta, além de adjetivos como "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta"

Ora, pois, pois, os habitantes da maior cidade do Grande Rio do Norte de Portugal têm uma avenida importante, conhecida como avenida dos aliados. O comerciante palmeirense lá se concentrou e bradou aos quatro ventos na tentativa de arrecadar apoios para uma causa nobre e justa. Com esse feito, buscava recompor seu prestígio cada vez mais decrescente junto aos que o cercavam, admiravam e aos que lhe cobravam. Buscaria um consenso em torno do seu projeto, competindo com outros dois: um que visava dar vôo monitorado a uma lépida borboleta dourada e outro que consistia em distribuir um notebook a cada tripeiro (assim são conhecidos os habitantes da cidade).

Bradava o palmeirense, ladeado por um importante criador de gado nelore e pelo bode:
- Este projeto é um consenso, tem o apoio de todo mundo, do dono da fábrica de sabão que é presidente da Câmara Municipal e do presidente do Conselho dos Anciãos.

- Trazer a Virgem para a cidade da Virgem, esta é a palavra de ordem!


Ocorre que nem o gerente da fábrica de sabão, nem o nobre presidente se pronunciaram anteriormente sobre a proposta.

- Substituir a Cova da Iria? Que virgem é essa? Por acaso tem ela a devoção interna que o palmeirense diz ter? E o povo a conhece? Foi ela testada na devoção dos fiéis alguma vez? Obrou milagres? Inúmeras indagações se fizeram.

Pobre comerciante de pão de queijo, sua próspera fábrica estava ameaçada. Os tripeiros, acostumados que foram há muito tempo a entregar as carnes para comer apenas as tripas de resto, poderiam ficar sem a oportunidade de experimentar sua deliciosa receita. Num lance tirocinante, o galego produtor da iguaria mineira resolveu se dirigir ao dono da fábrica e ao presidente do Conselho de Anciãos, indagando:

- Por um acaso vossas excelências subscrevem a proposta do meu amigo palmeirense?

Até hoje está aguardando a resposta. Caso seja positiva, transformará a proposta em projeto e construção coletiva. Caso se demonstre que nunca houve consenso, se mostrará numa fraude onde o interesse não é o bem comum da vizinhança. Por não viabilizar seu projeto, o palmeirense preferiu acabar com pequena fábrica de pão de queijo a ajudar o amigo a prosperar e construir um projeto de sucesso.

Eleições 2008

Transcrevo abaixo a íntegra de matéria do Tribuna do Norte com meu posicionamento sobre a posição petista nas eleições de outubro e ainda a entrevista de Fernando Mineiro.

Geraldão admite retirada da candidatura de Mineiro
Marcelo BarrosoELEIÇÕES 2008 - Com nome lançado para concorrer à prefeitura, resta a Virgínia abrir negociação com PT
19/03/2008 - Tribuna do Norte

O presidente estadual do partido dos Trabalhadores, Geraldo Pinto, trabalhará pela desistência da pré-candidatura de Fernando Mineiro, caso a secretária Virgínia Ferreira conquiste, para sua pré-candidatura, os apoios de Carlos Eduardo e do PMDB. A declaração foi da ontem no programa Panorama do RN (Rádio Globo Natal). “Se ela tiver o apoio do PMDB ou do prefeito, ou dos dois, como presidente do partido me sinto na responsabilidade de apoiar a candidatura dela. Agora esses dirigentes precisam nos dizer. Chamar o PT e falar do apoio”, comentou Geraldo Pinto.

Mesmo sem a consolidação desses apoios, o presidente do PT estadual disse que tentará construir uma pré-candidatura de consenso para evitar as prévias partidárias. Já o deputado Fernando Mineiro, procurado ontem, disse que não tem nenhuma obsessão pela sua pré-candidatura; não descarta desistir; mas quer saber primeiro se a candidatura que pode substituir a sua é uma candidatura que se manterá com ou sem alianças externas e ainda unificar o partido.

Fernando Mineiro avaliou ontem que o lançamento da pré-candidatura de Virgínia Ferreira foi um fato positivo. “É uma oportunidade do partido debater um projeto para a cidade. Vamos debater projetos para a cidade; qual o melhor nome que representa o partido e tem condições de fazer uma disputa pra valer”, disse. Quanto a ter prévias ou o PT encontrar um nome de consenso, o deputado explicou que ainda não pode descartar nenhuma das duas hipóteses e nem ainda a própria desistência de Virgínia Ferreira.

Ele justificou esse posicionamento pelo fato de que ainda não foi realizada nenhuma conversa interna sobre a atual situação. “Tanto eu quanto a Virgínia, tanto eu quanto a Fátima estamos interessados no melhor posicionamento do partido nessas eleições, no crescimento do partido, avançar na administração, consolidar os pontos positivos e superar os gargalos”, afirmou.

E acrescentou, ainda com relação ao futuro do partido: “No que depender de mim nós vamos buscar o melhor caminho para o PT. Se o melhor caminho for pelo consenso, eu estou disposto a fazê-lo. Se o melhor caminho for a prévia, estou disposto. O que quero dizer é que quem vai decidir isso é o partido”. Esse “melhor caminho”, para o deputado representa “na prática o nome que melhor unifica o PT (...) e que melhor posiciona o partido na disputa”.

“Lançamento da candidatura é positivo”

O pré-candidato do PMDB à candidatura de Natal, vereador Hermano Morais, considerou positivo o lançamento do nome da secretária de Planejamento do Município, Virgínia Ferreira, como pré-candidata o PT á Prefeitura de Natal. Ele observou que a secretária é uma técnica competente e que pode dar uma grande contribuição ao debate político que será travado por conta das eleições 2008. “O surgimento do nome de Virgínia é positivo”.

Ao mesmo tempo, Hermano Morais lamentou a decisão da deputada Fátima Bezerra de não lançar seu nome à Prefeitura. “Porque ela certamente teria uma grande contribuição a dar pelo conhecimento e pela contribuição que ela vem dando para a administração municipal”, disse. O nome de Virgínia Ferreira foi lançado em meio a comentários de que sua candidatura viabilizaria uma aliança entre o PT e o PMDB com o apoio do prefeito feito Carlos Eduardo.

Entrevista / Fernando Mineiro - Pré-candidato

TRIBUNA DO NORTE - É verdade que o senhor teria sinalizado que retiraria sua pré-candidatura caso Virgínia Ferreira assumisse a pré-candidatura e cooptasse o apoio de Carlos Eduardo Alves e outros apoios que dariam mais relevância à candidatura do partido?
Fernado Mineiro - É verdade que eu falei que estou aberto a fazer a discussão. Desde que a discussão não seja condicionada só a ter aliança. Porque se a gente trabalhar na perspectiva de ter aliança, e não tem essa aliança: o que o PT vai fazer? Vai ficar sem candidato se não tiver aliança? Então, a verdade é essa: eu estou aberto a fazer qualquer discussão. E reafirmo isso: eu não tenho nenhuma obsessão quanto à minha candidatura. A minha obsessão é que o PT como partido se coloque como sujeito na cidade de Natal, e não fique na dependência. Se há uma candidatura que se propõe a ser a candidata do PT com um processo de alianças, o que eu quero saber é se essa candidatura se coloca também como alternativa se o PT não fizer alianças. Por isso não descarto retirar o meu nome nem descarto que tenha prévia. Tem que ficar claro se a candidatura é só para o caso de aliança. Porque se não for, aí já desbloqueia e facilita o debate entre nós.

TN - Como o senhor avalia o lançamento de Virgínia Ferreira do ponto de vista do cenário eleitoral em Natal?
FM - Dá uma outra dinâmica. E põe um ponto final nas especulações. Agora, estamos caminhando para uma reta de definições. A partir de agora temos dois nomes. Ao mesmo tempo que dá um outro patamar no debate interno, dá também no debate externo. Porque, por exemplo, a direção vai sentar com o PMDB e diz: nós temos o nome de Virgínia e de Mineiro, como é a discussão? Vai conversar com Carlos Eduardo: como é? Então vamos trabalhar num terreno mais público.
Acompanhe agora minha entrevista ao vivo para o Jornal do Dia, SBT, canal 13. Mais tarde, será disponibilizada versão da entrevista na internet.

Império sem fronteiras?

O artigo deste domingo de Eliane Cantanhêde, na Folha de São Paulo (para assinantes), traz uma lúcida análise das intenções norte-americanas, explicitadas no tratamento dado à crise que envolveu Equador e Colômbia. Ao fazer um paralelo entre a posição predominante dos países latino-americanos e a posição dos EUA, a articulista expõe uma manobra desesperada do império para transformar o episódio em pretexto para a violação da integridade territorial.

É consenso entre as nações latino-americanas – sobretudo entre as autoridades diplomáticas brasileiras – a inviolabilidade das divisas territoriais nacionais. À exceção da Colômbia, país responsável pela invasão do território equatoriano, todos os principais Estados da América Latina foram contundentes em afirmar seu desagrado com a violação. Mas os EUA têm outra visão.

Oportunizando-se do episódio, o governo em fim de carreira de George W. Bush busca relativizar a integridade territorial das nações, apresentando uma interpretação que diz ser aceitável a invasão de outros países para o “combate ao terrorismo”. Cantanhêde ainda lembra em seu artigo dos pretextos forjados para a invasão do Iraque, alertando-nos para o risco de que essa “aceitável violação territorial para o combate ao terrorismo” possa dar margens a novos embustes do império. Se deixarmos e se as eleições norte-americanas não mudarem os rumos de sua política externa, Bush acabará mandando equipes da SWAT para desmantelar assembléias de grêmio estudantil, tudo em nome do combate ao terrorismo.

Entrevista ao Jornal de Fato

‘O PT nacional tem

interesse na eleição de Mossoró’

Por: JULIERME TORRES - Foto: Carlos costa

O PT de Mossoró se fragilizou nas últimas eleições municipais. Para este ano, o partido se mostra dividido. Uma parte defende a aproximação com o PSB da deputada federal Sandra Rosado, outra veta essa alternativa. Nesta entrevista, o presidente estadual do partido, Geraldo Pinto, comenta o impasse. Ele defende o debate com os socialistas, alertando que a candidata a prefeito seria Larissa Rosado, e garante que a executiva nacional do PT tem interesse nesse entendimento. “Geraldão”, como é mais conhecido, também fala sobre as articulações em Natal. Aponta os diálogos para tentar unir PT, PSB e PMDB, e garante que até o momento o deputado estadual Fernando Mineiro é o único nome petista colocado para a disputa da Prefeitura da capital potiguar.

JORNAL DE FATO – Muito tem sido noticiado que o presidente Lula pediu para que a base dele esteja unida no Rio Grande do Norte já neste ano. Do ponto de vista do PT, isso é possível?

GERALDO PINTO – É. Não tem, da nossa parte, nenhum impedimento de tentar unificar a base do governo. Desde que nós possamos ter uma candidatura que demonstre isso, não apenas nesse processo, mas no processo que tenha participação para 2010. Hoje, a base de apoio do presidente Lula é bastante ampla. Nós temos tratado isso bastante com a governadora, que é para ter um projeto para o Rio Grande do Norte. Eu tenho colocado que o PSB e o PMDB são dois partidos importantes para o projeto nacional que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem. Então, nós queremos ver nas principais cidades e na disputa de 2010 o que esses dois partidos que são importantes na base de sustentação do governo têm e qual é a participação que eles acham que o PT deve ter. Então, é esse o sentido que nós estamos construindo.


O SENHOR colocou três partidos - PT, PSB e PMDB. Os três têm candidato próprio em Natal. Como se resolve essa equação?

NÓS estamos dispostos a fazer as conversas. Os outros candidatos estão colocados há mais tempo, e nós estamos ainda discutindo. O único nome que está colocado pelo PT é o do deputado (estadual) Fernando Mineiro. Nós achamos que o deputado Fernando Mineiro tem as credenciais para que esse sistema político se dê melhor, não só na organização da eleição neste ano, mas que prepare a eleição de 2010, para que possamos marchar unidos. O PT, o PSB e o PMDB.


A DEPUTADA federal Fátima Bezerra também trabalha para se viabilizar. Teremos mais uma disputa interna no PT?

NÓS temos primeiro que fazer o debate interno sobre a cidade. Se a deputada Fátima, ou qualquer outro nome que quiser debater, tem que debater dentro do partido. Dentro dos fóruns do partido. Tem até o dia 24 para se inscrever. Tem que convencer a maioria dos filiados. Se tiver dois nomes, haverá a prévia. Agora, qualquer que seja o nome, tem que estar preparado para se o PT sair sozinho ou com aliança.


HOJE, o PT tem um diálogo mais fácil com o PMDB do senador Garibaldi, do que com o PSB da governadora Wilma?

DIÁLOGO nós queremos ter com todos os partidos da base aliada do presidente Lula. Mas é óbvio que o PSB tem um candidato colocado e isso dificulta bastante. Mas esse candidato não tem conseguido crescer na preferência, para conseguir aglutinar outras forças políticas. Então, eu acho que vamos procurar o PSB, vamos procurar o PMDB e vamos tentar o apoio do prefeito Carlos Eduardo, até o dia 30 de junho. É o último dia possível de convenções. Estamos convencidos que o nome do deputado Fernando Mineiro é o que vai chegar à vitória em outubro, refletindo a maioria do governo. Mineiro ou outro nome. O nome do PT que conseguir aglutinar mais forças... Por exemplo, se o prefeito Carlos Eduardo declara apoio a qualquer outro nome do PT, nós vamos debater com o prefeito. Agora, o projeto de Natal passa também por 2010.


MUITO se fala em um entendimento entre PT e PMDB, apoiado pelo prefeito Carlos Eduardo. As conversas são nesse sentido?

COMIGO não. Não tive nenhuma conversa sobre isso. Partidariamente não há nenhuma conversa. Dentro do partido não há nenhuma conversa. Quem fez qualquer conversa com o prefeito e com o PMDB, fez individualmente. Para 2010 não há nenhuma discussão do presidente estadual do PT. Até hoje eu não conversei com o prefeito Carlos Eduardo, nem com o deputado Henrique sobre 2010. Quem está fazendo essa conversa, está fazendo em nome próprio. Como o PT tem suas deliberações, tem os seus fóruns... o PT não tem dono, nem dona, isso vai ser definido internamente pelos filiados. Como sempre foi o nosso processo.


A CRISE que culminou com a saída do PT da Secretaria de Saúde, e que gerou um desgaste na relação do partido com a governadora Wilma, ainda vai contar na definição de alianças?

AQUELE foi um episódio, né? Nós superamos o episódio. Fizemos a discussão sobre a Fundação José Augusto. Aquele é um episódio em que nós temos diferenças. Diferenças que temos que pontuar. Nós temos uma apreciação sobre saúde pública que é distinta do governo. Achamos que o governo tem que enfrentar a discussão do pacto com as Prefeituras. Avançar o SUS (Sistema Único de Saúde). A opinião do governo é outra. Achamos que só estamos adiando uma crise muito grande, fazendo que a saúde pública fique refém das corporações.


O PEDIDO do presidente Lula para unir a base vale especificamente para Natal, ou será ampliado para outras cidades, como Mossoró?

O DESEJO do presidente Lula é que tudo isso que ele está fazendo... obviamente que não é uma coisa só do PT. Na segunda-feira (amanhã) eu e a presidente do PT de Natal, Vilma Aparecida, estaremos em Brasília. Será uma reunião dos presidentes de diretórios estaduais e das capitais. O deputado Ricardo Berzoini, que é o nosso presidente nacional do PT, chamou essa reunião. A idéia nossa é passar um quadro estadual e ver qual o desejo que o presidente Lula já expressou para a direção estadual do partido. A partir disso é que nós vamos trabalhar. Mas, pela própria convocatória, é um desejo estadual do partido. Não é só Natal. Nós vamos buscar trabalhar e unificar a base em todo o Estado.


VAMOS tratar da questão de Mossoró. O deputado Mineiro defendeu a união da base, para tentar derrotar o Democratas. O entendimento dele é que o DEM tem sua maior força em Mossoró, e que perdendo neste ano, se fragiliza para 2010. É pensando assim que o PT vai para a eleição?

SEM dúvida que em Mossoró os Democratas têm seu maior reduto, no Rio Grande do Norte. O PT pretende unificar a base do governo. A eleição tem suas características locais, mas também tem as características estaduais e nacionais. No caso de Mossoró, a cidade tem uma senadora. Também tem a principal figura dos Democratas, que é o senador José Agripino. Ele também tem base política em Mossoró. Isso nos dá uma conotação para a eleição de Mossoró que vai além do aspecto local. O diretório vai se reunir. Nós vamos dar todo o apoio ao diretório. Logicamente que o PT vai buscar superar obstáculos e buscar a unificação da oposição em Mossoró.


PRESIDENTE, mas o PT está dividido. Uma fatia grande do diretório não aceita dialogar com o PSB da deputada federal Sandra Rosado, alegando possível envolvimento em escândalos da Máfia das Sanguessugas. Qual a orientação da executiva estadual?

ME PARECE que a deputada Sandra não é candidata. Quando falamos de PSB, é o PSB. Nós falamos de diálogo com o PSB. Além disso, a candidata é Larissa Rosado. Se há alguém que tem alguma denúncia, que se apure. A denúncia ou indiciamento, a priori, não significa condenação de ninguém. Nós do PT fomos vítimas, e o presidente Lula foi a maior vítima disso. E esse é bem o estilo dos Democratas. Eu sou a favor do diálogo com todo mundo. Quem decide isso é o diretório, e a maioria do diretório vai dizer com quem vai fazer aliança. A regra é que tem até o dia 24 para se inscrever quem for ser candidato pelo PT. Quem for a favor de ter aliança, tem até o dia 30 para se inscrever. Vão ter os encontros municipais. Essa decisão será tomada no Encontro Municipal do PT de Mossoró. Uma vez decidido, aí nós vamos acatar, desde que não fira a resolução nacional. Eu sou a favor de continuar as conversas com o PSB. A conversa com a deputada Larissa. Isso tem um impacto não só em Mossoró, mas em todo o Estado.


LEVANDO em consideração que o senador Agripino é o principal opositor do presidente Lula no Congresso, a Executiva Nacional do PT tem interesse na eleição de Mossoró, por ser a principal base do senador?

TEM. Com certeza, eu já estive conversando isso com o deputado Ricardo Berzoini. Isso vai ser pontuado na reunião de segunda-feira (amanhã). Vamos pontuar a eleição de Natal, por ser a capital, e a eleição de Mossoró, em função da base de Agripino. Estamos dispostos, inclusive, a marcar para um segundo momento para ir lá com Tércio Pereira (presidente do diretório municipal) para a gente fazer essa discussão. A partir dessa discussão vamos ver o desdobramento. Vamos buscar essa conversa entre mim, Tércio Pereira e Berzoini, para a gente ver como o diretório nacional pode ajudar o PT de Mossoró.


SEMANA passada, o presidente do PT de Mossoró, Tércio Pereira, declarou que o presidente Lula poderia vir a Mossoró para pedir votos para um candidato da base com chance de derrotar o Democratas de Agripino Maia. Mesmo que esse candidato não tenha o apoio do PT local. Isso pode mesmo ocorrer?

COMO possibilidade, sim. Já ocorreu isso outras vezes. Mas eu espero que não seja preciso acontecer isso. Mossoró tem crescido bastante. O PT tem crescido bastante. Eu espero que o PT de Mossoró saiba encontrar o melhor caminho para fazer o diálogo com o maior número possível de pessoas.


O PT já traçou a meta de quantos municípios pode conquistar na eleição deste ano?

NÓS vamos ter em torno de 38 candidaturas a prefeito. Estamos fazendo reuniões em todos os pólos. Eu acredito que temos condições de chegar a 10 Prefeituras. Podemos inclusive ampliar nas mais importantes, por exemplo Natal. O PT pode ter boas candidaturas não só a prefeitos, mas também com vice-prefeitos. Temos uma candidatura boa em Extremoz, temos uma candidatura boa em Touros. Temos uma proximidade de aliança em Caicó, para vice. Temos duas Prefeituras para reeleição. Temos uma boa candidatura em Parelhas. Temos mais uma reeleição em Antônio Martins, que é do PT. Estou muito confiante que nós possamos chegar em vários lugares onde o partido possa... Podemos estar com uma Vice-Prefeitura em Assu. Em seis, nós vamos estar na Prefeitura. Em outras 30 nós vamos estar na Vice-Prefeitura. Isso é espetacular.

CEFET empossa nova diretoria

A nova diretoria do Centro Federal de Educação Tecnológica no RN tomou posse hoje pela manhã, em sua sede na Av. Salgado Filho. Belchior Rocha é o novo Diretor Geral da instituição, substituindo Francisco Mariz, que concluiu seu terceiro mandato à frente do CEFET-RN. Na unidade sede de Natal, o professor Enílson foi reconduzido para seu segundo Insegurança na Zona Nortemandato.

O CEFET, que já tem 5 unidades em funcionamento no RN, pretende inaugurar ainda outras ??, abrindo milhares de novas vagas. A diretoria que tomou posse hoje provavelmente terá a responsabilidade de conduzir a instituição em seus primeiros momentos como IFET – Instituto Federal de Educação Tecnológica. A constituição do CEFET – que recentemente era ETFRN – em IFET está prevista já para este ano. Boa sorte à nova diretoria e sucesso com as novas unidades no interior!

Como cresce o Brasil

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu na ordem de 5,4% em 2007. É o segundo maior crescimento desde a implantação do atual sistema de aferimento adotado pelo IBGE em 1996. Por sinal, o maior índice também se deu nos marcos do governo Lula, em 2004, alcançando o patamar de 5,7%.

Os especialistas concordam ao apontar dois principais agentes como fatores principais desse excelente resultado: o fortalecimento do mercado interno e investimentos. Não por acaso, são estes os pilares da política econômica e social do governo federal.

Os programas sociais – movidos pela centralidade do Bolsa Família – têm apresentado grandes resultados, inserindo milhões de brasileiros no consumo e elevando a qualidade de vida, sobretudo das populações mais destituídas das condições básicas de sobrevivência. Os resultados econômicos apontam para o fato de que o Bolsa Família ultrapassa os limites de um programa assistencialista. Seus resultados – aliados a uma política vigorosa de recuperação salarial – além de promoverem inclusão social, fortalecem o mercado interno, dando maior impulso ao desenvolvimento econômico, gerando um círculo virtuoso que fez com que alcançássemos o patamar de crescimento superior aos 5%.

Outro fator decisivo é o forte investimento público em infra-estrutura e fomento. O PAC representa bilhões de reais que são injetados no mercado através de obras fundamentais que já estão dando resultados. Em todo país – e também no Rio Grande do Norte – os recursos do PAC estão abrindo estradas, gerando novas fontes de energia e ampliando a capacidade produtiva nacional.

O Bolsa Família e o PAC estão mudando – pra melhor! – a realidade econômica e social brasileira. Este êxito da política do governo do presidente Lula certamente influirá nos desdobramentos aguardados para 2008 no cenário político, sobretudo nas eleições de outubro próximo. Mas isto é assunto para uma outra postagem.

A intolerância religiosa nas eleições americanas

Por Nicholas Kristof, do New York Times
Tradução: Eloise De Vylder

O sexismo parece ser mais forte. Os americanos têm afirmado nas pesquisas de opinião que preferem votar num negro a votar numa mulher, e Shirley Chisholm (uma mulher negra que concorreu à presidência em 1972) sempre disse que enfrentou mais preconceito por causa do sexo do que de sua raça.

Ainda assim, a maior intolerância nessas eleições não diz respeito à raça ou ao sexo. E sim à religião.

Os boatos dizem que Obama é um muçulmano não declarado que planeja impor a lei do Islã no país. Incrivelmente, ele é até mesmo acusado - sem brincadeira! - de ser o Anticristo.

Defensores dessa teoria oferecem explicações teológicas detalhadas para provar que ele é o Anticristo, e a prova é que ele diz ser cristão - afinal, é o que o Anticristo diria, não é mesmo? Os rumores circulam tanto que o jornalista Glenn Beck da CNN perguntou ao reverendo John Hagee, um evangélico conservador, quais são as chances de Obama ser o Anticristo.

Esses rumores fanáticos são o equivalente americano das acusações sobre judeus que circulam em alguns países muçulmanos. Elas não são tanto um golpe contra um candidato, mas sim uma calúnia contra toda uma religião. Elas salientam o fato de que, para muitos americanos fanáticos no século 21, chamar alguém de muçulmano continua sendo uma ofensa.

Há um paralelo com as campanhas presidenciais do século 19 e início do século 20, em que uma das formas mais comuns de atacar um candidato era sugerir que ele era em parte negro, ou que pelo menos defendia o casamento entre raças. Por exemplo, os federalistas acusaram Thomas Jefferson de ser "filho de uma índia mestiça, com um pai mulato da Virgínia". E a palavra "miscigenação" foi cunhada em 1863 e 1864, nas acusações de que Abraham Lincoln secretamente conspirava para que os negros pudessem se casar com brancos, especialmente com americanos de ascendência irlandesa.

Não faz tanto tempo, na campanha presidencial de 1920, cerca de 250 mil cartas foram enviadas a eleitores acusando Warren Harding de ser descendente de um "negro das Índias Ocidentais. Que Deus salve a América da vergonha internacional e da ruína doméstica".

Olhando para trás para essa história, é de se desejar que o candidato não tivesse respondido apenas com um "Não, eu não tenho nenhum ancestral negro", mas também dizendo "E se tivesse, qual é o problema?".

Da mesma forma, com uma multidão de pessoas espalhando rumores falsos de que Obama é muçulmano, a resposta mais apropriada é uma negação seguida da pergunta: "E qual é o problema se eu fosse?".

Com certeza, isso não é uma resposta politicamente realista. Uma pesquisa da Gallup em 2007 revelou que 94% dos americanos disseram que votariam em um candidato negro para presidente e 88% para uma mulher. Por outro lado, uma pesquisa do Los Angeles Times de 2006 revelou que apenas 34% dos entrevistados afirmaram que votariam em um muçulmano para a presidência.

Mesmo que o preconceito seja dirigido para um tema escolhido, como religião ou cabelos compridos, continua sendo preconceito. É possível imaginar que os católicos têm todo direito de chegar à presidência enquanto fazem oposição a um candidato católico em particular que baniria a contracepção; da mesma forma, é possível acreditar que os muçulmanos têm todo direito de chegar ao poder sem necessariamente abraçar a candidatura de determinados muçulmanos que defendem enrolar todas as mulheres em burkas.

A seu favor, Obama falou sobre o Islã com respeito (ele disse para mim no ano passado, abertamente, que o chamado muçulmano para as orações é "um dos sons mais bonitos da terra ao entardecer"). Se ele tivesse de ir mais longe - "e daí se eu fosse muçulmano?" -, muitos americanos veriam isso como a confirmação de que ele é um terrorista sunita, agente da al-Qaida e parte de um plano complementar ao 11 de setembro: "se você não consegue chegar à Casa Branca com um avião seqüestrado, então invada o Salão Oval usando as urnas".

Esta é uma situação em que Hillary Rodham Clinton e John McCain deveriam tomar a iniciativa e denunciar a disseminação do medo em relação a Obama como sendo discurso fanático. As fofocas que se referem ao candidato como "Barack Hussein Obama" e rumores de que ele freqüentou uma madrassa (escola islâmica) são o equivalente religioso das ofensas raciais, e McCain e Clinton deveriam denunciar isso de maneira veemente. Essa é a chance que eles têm de mostrar liderança.

Há uma semana, quando perguntaram a Clinton em uma entrevista na televisão se Obama era muçulmano, ela negou com firmeza - mas então acrescentou, desafortunadamente, "até onde eu sei". A seu favor, McCain repreendeu um âncora de rádio que repetidamente se referia a "Barack Hussein Obama" e mais tarde o chamou de candidato da Manchúria.

Martin Luther não era um modelo de tolerância, mas mesmo assim assumiu a seguinte posição: "Prefiro ser governado por um turco sábio a ser governado por um cristão tolo". Nessa campanha presidencial, devemos aspirar a ter uma mente tão aberta como pelo menos os alemães do século 16.

Os ventos do norte – eleições americanas perto da reta final

A recente vitória de Barack Obama no estado do Wyoming lhe conferiu 7 dos 12 delegados em disputa. Apesar de representar apenas dois delegados de vantagem sobre Hillary Clinton – numa disputa onde são necessários 2.025 delegados para garantir a indicação -, a vitória de Obama tem grande valor na corrida pela indicação democrata à presidência dos Estados Unidos, pois representa uma retomada de fôlego após as recentes derrotas nos cáucuses.

Após o escândalo fomentado por uma foto de Obama trajado aos modos árabes, a onda de boatos e calúnias contra o candidato negro gira em torno da religião. Especulam as más línguas que Obama seria um “muçulmano enrustido” (no que, de fato, não haveria problema algum) que se prepara para impor aos EUA as leis do Islã. Nicholas Kristof, em artigo no New York Times que publicarei traduzido aqui no blogue ainda esta semana nos informa que “Os rumores circulam tanto que o jornalista Glenn Beck da CNN perguntou ao reverendo John Hagee, um evangélico conservador, quais são as chances de Obama ser o Anticristo.”

Cada vez mais, a possível – e já não tão distante – vitória de Obama se envolve de um simbolismo antidiscriminação e pró-tolerância. Não é a toa que seu nome desperta a simpatia e atenção da comunidade internacional. O mundo – ansioso por paz – parece estar em grande expectativa para ver o dia em que a maior potência econômica e militar do planeta passará a ser governada por um negro de origem multiétnica. A esperança que temos é de que a eleição de Obama também mude a forma como os americanos se vêem, abrindo caminho para uma maior identificação com outros povos, para o aumento do respeito à soberania das nações e à diversidade cultural.

O pensamento de Delfim Netto

Ministro da Fazenda no Regime Militar, tendo ocupado tambémas pastas do Planejamento e da Agricultura. Detentor de alegados "plenos poderes" na gestão econômica do Ditadura Militar, seu nome ficou associado ao chamado "milagre econômico da década de 70". Antônio Delfim Netto formou-se em Economia pela USP, onde acabou tornando-se professor. Figura polêmica pela história vinculação de seu nome à Ditadura de 64, Delfim Netto é hoje copnsiderado um dos principais pensadores da realidade econômica brasileira. O artigo republicado abaixo é exemplar do pensamento deste controverso economista e nos traz uma importante análise sobre a relação estado/mercado/desenvolvimento.

O momento do PAC

Delfim Netto

Uma das causas mais importantes da queda do ritmo de crescimento do País foi a redução dos investimentos públicos, que se seguiu à superação do imenso desequilíbrio externo causado pelo aumento dos preços do petróleo a partir de 1979. A gravidade da situação pode ser vista no aumento da relação Dívida Externa Líquida/Exportação, um dos indicadores importantes de solvência externa. Passou de 1,4 em 1973 para 4,1 em 1983, ano em que o déficit em conta corrente foi eliminado com uma vigorosa desvalorização e uma queda substancial do PIB.

O reflexo do ajuste externo sobre as finanças públicas foi extraordinariamente complicado, pela existência de um generalizado sistema de correção monetária com graves conseqüências sobre a taxa de inflação. De 1986 a 1994, fizemos um longo e difícil aprendizado (meia dúzia de tentativas fracassadas) para recuperar a estabilidade monetária até obter a vitória com o brilhante Plano Real. A crise do setor externo e as conseqüentes dificuldades do ajuste das finanças públicas reduziram o ritmo de crescimento do Brasil.

Entre 1950 e 1984, crescemos à taxa de 6,5% ao ano. Entre 1985 e 2007, a taxa caiu para 2,9%. O motivo fundamental desse processo foi o maligno desenho do ajuste. Simultaneamente: 1. Aumentamos a carga tributária (de 26,5% do PIB em 1986, para 32,4% em 2002 e 37% em 2007), o que reduziu o investimento privado. 2. Elevamos a relação Dívida Pública Líquida/PIB (de 30% em 1994, para 50,5% em 2002 e ainda 42,8% em 2007), o que diminuiu o financiamento do setor privado e ajudou a reduzir o seu investimento. 3. Cortamos os investimentos públicos, que têm um enorme poder para aumentar a produtividade dos investimentos privados. Era mais fácil e mais cômodo para os governos reduzir o investimento público do que controlar as despesas de custeio e enfrentar a poderosa voz do corporativismo que se assenhorou do Estado.

O processo foi facilitado por duas circunstâncias. Primeiro, porque os governos nunca deram ênfase ao orçamento dos investimentos públicos, separando-o, tornando-o visível e comprometendo-se com ele. Ele sempre foi o “resto”. Era o que sobrava da péssima equação do malcheiroso ajuste fiscal (receita menos despesas de custeio mais déficit nominal desejado igual sobra para investimento). Segundo, porque nesses ajustes apoiados por FMI, Bird e BID, em lugar de eles exigirem um equilíbrio mais virtuoso, que levasse em conta a solvência da dívida pública dentro da perspectiva intertemporal (o que obrigaria cortar as despesas de custeio e privilegiar o investimento), esquivaram-se covardemente, ao alegar “respeito às decisões soberanas” do governo.

Foi assim, lenta e cinicamente, que ao longo de 20 anos matou-se por inanição o investimento público e tornou-se obeso o gasto de custeio. Este continua a crescer muito acima da capacidade de controle do governo, que, até hoje, não foi sequer capaz de impor-lhe um pouco mais de eficiência. Os dois gastos de investimentos da maior importância, educação e saúde (equivocadamente classificados como custeio), são realizados nos setores em que é cada vez mais visível a correspondência entre a voz alta das reivindicações corporativas e a diminuição da eficiência na prestação dos serviços.

A economia brasileira está novamente sob ameaça de estresse. Uma decisão do Congresso eliminou a CPMF e reduziu a receita do governo federal em 40 bilhões de reais, ou cerca de 1,4% do PIB estimado para 2008. Mesmo com todas as “acomodações” no orçamento e algumas medidas administrativas imediatas, é pouco provável que o governo não tenha de cortar ou adiar suas despesas em torno de 15 bilhões de reais, porque ele não deve fazer um déficit nominal abaixo de 2% e precisa de um superávit primário maior do que 3,5% do PIB, para manter a redução da relação Dívida Líquida/PIB. Esse comportamento fiscal é a condição necessária para ajudar o Banco Central a cumprir adequadamente o seu papel, numa situação mundial praguejada de grandes incertezas.

Aqui está a grande diferença da política econômica do segundo mandato de Lula em relação aos últimos 20 anos. O PAC tornou visível uma espécie de orçamento de investimento na infra-estrutura, com o qual o governo se comprometeu. Se realizado, vai sustentar um crescimento parecido com o de 2007. Pela primeira vez, numa geração, o governo vai acomodar suas despesas de custeio e poupar os investimentos.

Originalmente em CartaCapital

Mãos invisíveis investimentos palpáveis

Um dos aspectos que mais têm merecido a atenção de intelectuais e lideranças políticas brasileiros em relação ao moderno Estado brasileiro – ao longo das últimas décadas – é o seu papel no fomento do desenvolvimento econômico. Desde a política de industrialização intimamente ligada às ações de estado no governo Vargas até os dias de hoje, muitas foram as receitas que surgiram. Algumas delas foram elaboradas por mentes genais de brasileiros que se dedicaram a compreender e melhorar o Brasil. Outras vieram prontas, impostas em pacotes e acordos obscuros, servindo a interesses alheios aos de nossa nação.

Durante toda a década de 90 vivemos a panacéia do neoliberalismo que ditava o desmonte do Estado e sua ausência na economia. Seguimos o receituário e tivemos uma década ainda mais perdida que a década perdida. Hoje, com programas sociais de largo alcance, com investimentos maciços em infraestrutura e com políticas de fomento econômico desenvolvidos pelo Estado, vivemos um de nossos melhores momentos econômicos da história. Por quê?

O maniqueísmo tradicional entre o extremo liberalismo econômico e o intervencionismo de estado turva a visão de muitos pensadores. O caminho para o desenvolvimento sustentável requer a presença do estado, pois é ele quem possui as condições históricas de executar as ações de longo prazo. Mas também requer um mercado dinâmico e competitivo. Contudo, mesmo isso ainda não é consenso.

As principais idéias e correntes e alguns caminhos que se apresentam para o desenvolvimento econômico do Brasil serão alvo de uma série de postagens que publicarei aqui durante o mês de março, intercaladas com outras relativas aos temas gerais que têm nos embalado neste espaço virtual. Participe, deixando sua opinião, indicando leituras e fazendo sugestões.